
Nosso entrevistado desta edição é André Windson de Oliveira Santos, técnico de enfermagem piauiense que construiu uma trajetória marcada pela dedicação ao cuidado intensivo e pela busca constante por conhecimento. Aos 34 anos, natural de Teresina, André iniciou sua formação em 2010, concluindo o curso técnico de enfermagem e uma especialização de nível médio em Terapia Intensiva. Desde então, atuou em diferentes cenários de alta complexidade, começando pela UTI Cardiológica do Hospital São Marcos, em 2012, e ampliando sua experiência em UTIs Geral, Neurológica e outras áreas críticas.
Ao longo da carreira, atuou também no Hospital de Urgência de Teresina,26 aprofundando sua vivência no cuidado intensivo. Em 2023, passou a integrar a equipe do Hospital Getúlio Vargas, onde presta assistência direta nas UTIs Cirúrgicas e Cardíaca, além de manter atividades no Hospital São Marcos, com exames de eletroencefalograma e inserção de dados na plata forma Epimed.
Comprometido com uma forma ção ampla e multidisciplinar, André concluiu o bacharelado em Direito em 2021 e atualmente é graduando em Letras – Inglês. Para ele, a saúde é um campo plural e profundamente humano, no qual técnica, estudo e experiência se conectam para garantir um cuidado seguro, qualificado e transformado.

1. André, você é reconhecido pelos colegas como uma referência para os Técnicos de Enfermagem. O que te motivou a escolher a Enfermagem como profissão?
Minha jornada começou com a neces-sidade de encontrar algo que pudes-se me trazer um retorno financeiro significativo em um prazo de tempo razoável. Eu decidi fazer um curso técnico, pensando que isso me permitiria começar a trabalhar rapidamente e, em seguida, seguir em frente para alcançar outros objetivos. Mas, para minha surpresa, esse curso se tornou o ponto de partida para a minha carreira e, atualmente, é a minha principal fonte de renda e meu oficio principal.
2. Você trabalha em Terapia Intensi va em duas grandes unidades de Teresina. Quais são os maiores desafios e aprendizados de atuar na UTI, um ambiente tão complexo e decisivo para o cuidado ao paciente?
Ao finalizar meu curso técnico, eu estava ciente de que queria seguir carreira em UTI. A curiosidade foi o que me levou a essa escolha, pois mesmo em uma unidade mais restrita como o Centro Cirúrgico, eu tive a chance de ter mais contato. Já nas unidades de terapia intensiva, nossa experiência foi breve, limitada a uma visita técnica. O maior desafio é lidar com a perda de pacientes com quem criamos vinculos. E o mais importante que aprendi é a valorizar a vida em seu máximo potencial. Isso significa aproveitar o tempo com nossos entes queridos, sem deixar para depois
3. Muitos Técnicos de Enfermagem dizem se espelhar na sua trajetória. O que você considera essencial para que um técnico se torne referência e exerça liderança dentro de uma equipe multiprofissional?
Com o passar do tempo, os técnicos estão se tornando cada vez mais versáteis, com muitos deles buscando no vas graduações e cursos para expandir seus conhecimentos e habilidades Isso nos permite ter acesso a uma ampla gama de habilidades e conhecimentos, e eu sempre busquei aproveitar ao máximo essa oportunidade, fazendo novos cursos e buscando atualizações constantes para manter meu conhecimento atualizado e relevante.
4. No dia a dia, Enfermeiros relatam que você é um grande apoiador das ações estratégicas das unidades. Como você enxerga essa parceria entre Técnicos e Enfermeiros na construção de uma assistência segura e qualificada?
Acredito que o periodo em que podíamos nos dar ao luxo de perder tempo já passou. Hoje em dia, todo é muito acelerado Enfermagem ja sofreu bastante com a falta de união entre os profissionais. Vejo o enfermeiro como um parceiro. Busco uma parceria mùtua, onde ambos os lados se ajudem e se apoiem, pois sozinhos não pode mos fazer muito, mas juntos podemos alcançar grandes coisas.
5. Neste ano em que celebramos os 50 anos do Coren-PI, e em que os Técnicos de Enfermagem represen-tam 66% dos profissionais inscritos, como você avalia a importância da participação e da conexão desses profissionais com o conselho para o fortalecimento da Enfermagem como um todo?
Acredito que é fundamental ter mais técnicos em posições de destaque, participando de tomadas de decisão, sendo ouvidos e valorizados. Isso será um grande avanço para a saúde e para a construção de uma Enfermagem mais forte e eficaz.
6. Que mensagem você deixaria para os Técnicos de Enfermagem do Piaui que estão iniciando sua carreira ou buscando se fortalecer na profissão?
O caminho é longo e cheio de obstáculos, com jornadas exaustivas em feriados e fins de semana. Mas, ape sar das dificuldades, há um objetivo que nos motiva ajudar os pacientes a se recuperarem. É um sentimento único, quase indescritivel, ver um paciente retornar à sua familia, um filho abraçar sua mãe novamente, um pai reassumir seu papel. E nesse momento que sentimos que tudo vale a pena, que a vida tem um valor que transcen de as dificuldades do trabalho.
7. Por fim, o que mais te inspira a exercer essa profissão com tanta de dicação?
Eu sou impulsionado todos os dias pelo desejo de fazer meus pais se sentirem orgulhosos de mim. Eles são a minha inspiração, a minha força, e é por eles que eu trabalho arduamente. enfrentando cada plantão com deter minação, para trazer orgulho a eles e fazer a diferença na vida das pesso que precisam de cuidados de saúde.