Para a Técnica de Enfermagem Luana de Góis Silva Fernandes, o cuidar está além da realização de procedimentos. Ao longo de sua trajetória profissional, construída em diferentes unidades de saúde da rede pública de Teresina, ela encontrou nos Cuidados Paliativos uma forma de ressignificar o cuidado na Enfermagem e compreender que, mesmo quando a cura já não é possível, sempre há algo que a Enfermagem pode oferecer.
Com anos de atuação na Atenção Primária à Saúde, Luana de Góis tinha como referência o cuidado que previne, que cura e promove saúde. Foi na vivência da Terapia Intensiva que a Técnica de Enfermagem teve uma das experiências mais marcantes de sua carreira.
Em 2019, Luana teve seu primeiro contato com a realidade da UTI, quando passou a atuar com Cuidados Paliativos no Instituto de Doenças Tropicais Natan Portella (IDTNP). A rotina da UTI, no entanto, a colocou diante de situações em que já não havia possibilidade de cura para o paciente, levando-a a conhecer uma perspectiva de cuidado diferente daquela com a qual estava acostumada.
A princípio, essa realidade lhe causou desconforto. Ela chegou a pensar em deixar a UTI. No entanto Luana encontrou no conhecimento um novo significado para o cuidar.
A experiência transformou sua maneira de enxergar a assistência. Luana passou a compreender que os Cuidados Paliativos não significam ausência de cuidado, mas uma mudança de foco: preservar a dignidade e a qualidade de vida do paciente.
“Depois que entendi melhor sobre Cuidados Paliativos, minha rotina mudou, aprendi que mesmo quando não tem mais cura, ainda temos cuidados para oferecer: aliviar a dor, dar conforto. Nosso foco vira uma assistência com mais empatia, pensando no paciente como um todo, físico,emocional e espiritual”, destaca Luana.
Quando cuidar também é estar presente
Na prática, essa compreensão aparece em ações que podem parecer simples, mas que ganham outro significado diante de um paciente crítico. Monitorar sinais vitais, administrar medicamentos prescritos, observar sinais de dor e outros sintomas, realizar curativos, manter a higiene, promover conforto e realizar mudanças de decúbito fazem parte da assistência técnica. Para Luana, entretanto, o cuidado não termina nesses procedimentos.
“Cuidado é presença. Não é só remédio e procedimento certo. É o ‘tá com dor?’, é segurar na mão, é explicar com calma”, afirma.
Essa concepção também orienta a forma como ela se relaciona com as famílias. Luana procura conhecer quem acompanha o paciente, ouvir suas histórias e entender quem aquela pessoa era antes da doença. A estratégia permite que ela estabeleça uma relação mais próxima com o paciente e encontre maneiras de tornar momentos cotidianos da assistência, como um banho no leito ou uma mudança de decúbito, também espaços de acolhimento.
O cuidado, nesse contexto, alcança também quem está ao lado do paciente. Para Luana, familiares e acompanhantes enfrentam o medo, a insegurança e a possibilidade da perda de alguém importante. Por isso, acolher, conversar, orientar e transmitir segurança também fazem parte da assistência.
Uma profissão escolhida com amor
A trajetória profissional também consolidou em Luana a certeza de que escolheu a profissão que queria exercer. Mesmo diante dos desafios e do desgaste físico e emocional presentes na rotina da Enfermagem, ela afirma que não escolheria outro caminho.
“Saber que escolhi o que amo fazer, não me arrependo de não ter feito outro curso. Se tivesse a oportunidade de mudar de profissão, sempre seria a Enfermagem”, afirma a Técnica.
Na história de Luana, os Cuidados Paliativos surgem como uma oportunidade de ampliar o significado de cuidar. Em uma fase marcada pela vulnerabilidade, pela possibilidade da perda e por decisões difíceis, a atuação da Enfermagem pode oferecer conforto, segurança, respeito e dignidade.
É nesse espaço, entre a técnica e a sensibilidade, que Luana encontrou uma das formas mais profundas de exercer a Enfermagem: compreender que nem sempre é possível curar, mas sempre é possível cuidar.
Ascom Coren-PI